quarta-feira, 10 de maio de 2023

BackTracking #13 - Morto mas passa bem

Tamo de volta e trazendo os assuntos mais relevante dos últimos dias: Xbox.

Hoje, contamos com a presença de Business Cat, Findman e Desgraça com os convidados Belo e Surfista Aluminado para falar das tretas da aquisitivas da Microsoft, o vergonhoso Redfall e a entrevista do Phil Spencer arrependido, entre outros.

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Links:
Entrevista com Phil Spencer no Xcast
PlayDate do Mega64


BGM:
Good Eatin' - Pizza Tower
Dev Engine - Hi-Fi Rush
Swanklicious - River City Girls 2
Kusabi (Love or Die Remix) - The Silver Case
Cruise Ship Stern - Street Fighter 4
Hummin' The Bassline - Jet Set Radio Future

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Review - Resident Evil 4 Remake

 O sucesso do remake de Resident Evil 2 já trazia um destino inevitável: Resident Evil 4 iria receber um remake. Já rasguei muita seda sobre o título de 2005, afinal, é meu jogo favorito e um marco de na indústria de games. Não sou contra remakes e nem acho que sejam uma má ideia, por mais que tenham seu aspecto cash grab, são formas de revisitar ideias antigas e apresentar clássicos de uma nova forma para uma nova geração. 

O que temo é apenas sair um trabalho preguiçoso. Enquanto RE2 é um bom jogo, vejo alguns aspectos mal trabalhados, e olha que gosto mais do remake do que o original. Ainda acredito que ele poderia ser bem melhor se tivesse mais tempo de produção, e o mesmo se aplica à RE3, um título um tanto injustiçado, mas com razões óbvias. A expectativa criada com o antecessor justifica a decepção com a campanha curta e as diversas diferenças e partes que o remake "cortou".

Visto a dimensão do antigo, RE4R seria um projeto bem grande se fossem recriá-lo, logo, um desenvolvimento mais trabalhoso. Provavelmente, RE Village foi pensado para ser base do remake justamente por isso, o que deve ter aberto campo para investirem em mais coisas. Mesmo se o o jogo fosse apenas uma melhoria técnica e gráfica junto da implementação de sistemas mais "modernos", seria uma tarefa árdua.

É o remake que tinha a barra mais alta para atingir e felizmente ele conseguiu fazer um trabalho digno de uma forma que ele se tornou um título à parte. Não se contentando em procurar fazer "melhorias básicas" RE4R adiciona seus toques especiais, além de aumentar tanto o aspecto de ação quanto o de terror e manter as estranhices e comicidades tão lembradas do original.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Resident Evil 4: Mudando Tudo

Finalizando a retrospectiva de Resident Evil. Leia os textos de RE1, RE2 e RE3 nos links. 

Resident Evil 4 foi a esperada sequência da franquia na nova geração. Após o fim da trilogia original e a entrada de uma nova era de consoles, tivemos Code Veronica, originalmente para Dreamcast, Resident Evil 0 e Remake para GameCube e os spin-offs Outbreak e Gun Survivor. A série era exclusiva do Playstation 1 com algumas ressalvas, visto que os títulos recebiam ports de PC tempos depois, RE1 saiu para Saturn e o 2 para Nintendo 64. Mas são jogos muito associados ao PS1.

O que era para ser RE4, se tornou Devil May Cry e virou um dos títulos de lançamento do PS2. A Capcom estava numa época muito boa em termos de obras inventivas e explorando novos potenciais de videogames 3D. Shinji Mikami trabalhava como produtor, responsável por boa parte dos sucessos da era, eventualmente voltando para direção com RE remake, e enfim deu sequência na série com RE4 que conhecemos, que passou por um longo período de desenvolvimento.

Com diversos conceitos e alguns protótipos, tudo indica que Resident Evil 4 tinha um princípio acima de tudo: mudar. O projeto de Kamiya tinha ação, estilo e exploração de um castelo medieval e tornou-se DMC. As próximas versões do projeto de RE4 mantiveram o castelo, agora com Leon sendo atormentado por alucinações, depois abandonando a antiga perspectiva de câmera para o ângulo acima do ombro, e, por fim, abandonando a ideia de ser "puro" terror para virar uma pequena aventura de um agente americano em busca da filha do presidente sequestrada nos confins da Europa.

Após os eventos de Raccoon City, Leon e Sherry são interrogados por oficiais do governo americano, e em troca da segurança da garota, Leon começa servir os Estados Unidos e é treinado para virar um super agente. Seu treinamento e habilidades garantiram que ele seria a pessoa mandada para resgatar Ashley Graham, a filha do presidente dos EUA. Chegando em um vilarejo inóspito, ele é atacado pelos locais e encontra pistas sobre o sequestro e a ligação do povo com um culto sinistro.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Resident Evil 3: Adeus Raccoon City

Terceira parte da retrospectiva de Resident Evil até o 4 (textos de RE1 e RE2), agora abordando o capítulo final da trilogia clássica. O sucesso de RE2 foi a confirmação que a Capcom precisava para continuar alguns projetos e começar novos. Uma sequência direta do 2 estava sendo produzida por Hideki Kamiya para sair no PSX, mas com os envios dos kits de desenvolvimento de PS2, decidiram se dedicar esse projeto ao novo hardware, o que provavelmente virou Devil May Cry.

Enquanto isso, outros projetos como RE0 e Code Veronica já estavam em desenvolvimento, e o Resident Evil 3: Nemesis que conhecemos começou como um spin-off com ideias diferentes dos jogos anteriores, mas devido a demora para o lançamento do novo projeto de Kamiya para 2001, a Sony ia ficar sem um título decente da série no Playstation, o que seria financeiramente ruim para a Capcom, já que RE0 era para ser lançado no Nintendo 64 e Code Veronica no Dreamcast.

O diretor de RE3, Kazuhiro Aoyama, trabalhou nos jogos anteriores, como “Event Director” em RE1 e “System Planner” em RE2, onde ele também dirigiu o modo extra 4th Survivor, que parece ter sido uma inspiração para o conceito do terceiro título. Chamado de Bio Hazard 3: The Last Escape no Japão, felizmente mudaram o subtítulo para Nemesis aqui no ocidente, temos a jornada final de Jill Valentine em Raccoon City, a cidade já estava virando um inferno devido a infecção zumbi e eventualmente seria dizimada pelo governo dos EUA.

O início do jogo já é um bom exemplar de quão intenso ele vai ser, onde Jill é arremessada para fora de um prédio por uma explosão, diversos zumbis começam lhe seguir e cercá-la enquanto ela tenta abrir uma porta desesperadamente. Vagando pelas ruas e entre prédios abandonados, a protagonista tenta achar uma forma de escapar da cidade, mas além dos infectados e demais monstros estarem em seu caminho, ela terá uma ameaça muito maior lhe perseguindo.

terça-feira, 21 de março de 2023

Resident Evil 2: Consolidando Biohazard

Dando continuidade na minha retrospectiva de Resident Evil, agora irei falar da sequência, onde algumas mudanças um pouco inesperadas foram feitas na produção, mas se provaram corretas com o lançamento muito bem sucedido e que concretizou a franquia Resident Evil. Shinji Mikami se tornou produtor e passou a direção para Hideki Kamiya, que foi creditado como “System Planner” em RE1. Como esses papéis são um tanto incertos, principalmente antigamente, consta que o projeto teve diversos “Planners” e que Kamiya entrou no meio do desenvolvimento.

Hideki menciona ter trabalhado com storyboards das cenas e com os cortes dos cenários e ângulos de câmera, também contribuindo na criação dos personagens. Hoje em dia, além de ser conhecido por bloquear e xingar pessoas no Twitter, Kamiya é mestre na criação de jogos de ação criativos, responsável por Bayonetta, Wonderful 101, Viewtiful Joe e o primeiro Devil May Cry. Seguindo os passos de Mikami, ele também preferiu deixar outras pessoas dirigirem as sequências de Bayonetta enquanto agia como produtor.

Parece que todos Resident Evil têm alguma história interessante de desenvolvimento e o 2 já é conhecido pelo seu protótipo, chamado de Resident Evil 1.5, onde temos Elza Walker no lugar de Claire, uma delegacia moderna e outras ideias descartadas. Com a entrada do roteirista televisivo Noboru Sugimura para o time, que era fã do RE original, houve uma grande mudança, já que o escritor não gostou como a ambientação se distanciava do jogo anterior por ser realista demais.

Vendo sua carreira, Kamiya gosta de se envolver na criação da história e personagens dos jogos que dirige e produz, e Sugimura foi uma grande influência para o game designer novato na época. A delegacia foi transformada em algo mais nos moldes da mansão, remetendo ao mistério de explorar um local misterioso. Conforme você investiga, vai descobrindo que o prédio era um museu abandonado e a conexão entre o delegado e outras autoridades da cidade com a Umbrella.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Resident Evil: Entrando no Mundo do Survival Horror

Resolvi rejogar a trilogia original do PSX e Resident Evil 4 original em antecipação ao remake de RE4. Fazia um bom tempo que não jogava os quatro títulos, então uma revisita sempre é boa, principalmente para ter uma nova perspectiva desses clássicos. RE é uma franquia monstruosa, gerando várias iterações, coisas que vão além de videogame, e tudo começou num projeto pequeno que foi se tornando maior e conquistou diversos jogadores da geração do Playstation 1.

A Capcom possuía game designers que se tornaram influência em toda a indústria com IPs únicas. Street Fighter, Final Fight, 1984, Ghost n' Goblins e diversos outros são lendárias máquinas de fliperama e deram fama à empresa. Desde cedo, a empresa também focou em fazer jogos para consoles, o que deu uma vantagem futura em relação a outras desenvolvedoras que ficaram ligadas ao arcade. Exclusivos como Demon's Crest e Mega Man ajudaram cimentar mais a presença da marca, fora adaptações como DuckTales, Aladdin e a série Magical Quest, até chegar Resident Evil e levar para outro patamar.

Em março de 1996, Resident Evil foi solto ao mundo. A história de desenvolvimento já é conhecida, o básico é que sua origem veio da ideia de reviver Sweet Home, uma adaptação de um filme de terror japonês que virou um RPG de NES lançado em 1989. Com múltiplos personagens, clima sinistro, violência e finais diferentes, ele foi a base do que seria a nova franquia da Capcom. Seu diretor, Tokuro Fujiwara, idealizou esse projeto, mas preferiu passar o desenvolvimento nas mãos de um diretor mais jovem na compania, esse sendo Shinji Mikami, que já tinha dirigido duas adaptações de licenças famosas: Goof Troop e Aladdin. 

Ambos os títulos não têm o mesmo nível de sucesso, Aladdin é baseado no filme da Disney, o que gerou um sidescroller bem competente e vendeu bem devido ao sucesso do filme, enquanto Goof Troop parece ser mais conhecido entre nós, brasileiros. O “jogo do Pateta” era muito bom, oferecia uma experiência única, especialmente em co-op, apesar de ser curto e não termos recebido níveis de dificuldade diferentes na versão ocidental. Algumas características como dois personagens diferentes, puzzles, elementos de exploração e inventário limitado parecem algo bem familiar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Review - Hi-Fi Rush

Aparecendo de surpresa na Xbox Developer Direct, mas não muito, visto que saiu um leak que não mostrava tanto no ano passado. Hi-Fi Rush surgiu como algo bem diferente devido o visual totalmente cartunesco misturado à ação e música. Apesar de ser liberado no mesmo dia do anúncio, estando disponível no Game Pass e custando apenas 30 dólares, ou 100 reais e alguma coisa por aqui, está longe de ser um jogo “pequeno”.

Desenvolvido pela Tango Gameworks, dirigido por John Johanas e produzido por Shinji Mikami, ambos reprisando seus papéis de Evil Within 2, o projeto já estava no forno por um bom tempo, antes da compra da Bethesda pela Microsoft, e veio para mostrar a capacidade do estúdio de trabalhar com algo fora do escopo de terror. Levando em conta a presença de Mikami, conhecidíssimo pelo Survival Horror, mas tendo dirigido jogos de ação memoráveis, como God Hand e Vanquish, obviamente há algo especial.

Fora isso, também temos a presença de Masaaki Yamada, ex-Capcom e ex-Platinum, conhecido por ser o game designer de títulos importantes como Bayonetta e Vanquish, além de diretor de Viewtiful Joe 2 e o de DS. A similaridade visual com Viewtiful e o combate estilo o primeiro Bayonetta mostram que Masaaki continua um nome forte quando se trata de ação. Hi-Fi Rush chegou com os dois pés na porta com esse time e mostra que há espaço para novas interpretações para hack n’ slash estilosos.

O jogador é apresentado a esse mundo futurista, onde um jovem de 25 anos descerebrado que sonha em ser um rockstar é escolhido para receber um braço mecânico através do Projeto Armstrong da mega corporação Vandelay Technologies. Por um pequeno erro, o braço é implementado junto ao "iPod" do protagonista, fazendo que o mundo, ou ao menos na sua perspectiva, esteja sincronizado às suas músicas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Review - Bayonetta 3

Mais uma esperadíssima sequência, Bayonetta 3 foi revelado em 2017 no The Game Awards apenas mostrando a protagonista titular sendo derrotada, e visto o estado atual do terceiro jogo, imagino que não deviam ter muito além disso. Após 4 anos, finalmente temos o produto finalizado, quer dizer, mais ou menos...

Primeiramente, ele não é muito bonito, sabemos que o Nintendo Switch anda tendo problemas com performance em lançamentos recentes, mesmo Bayonetta 3 tendo esse problema, ele é visualmente inferior aos títulos anteriores, e perante a seu primo, Devil May Cry com DMC5, é uma sacanagem comparar. Longe de ser feio, mas ele tem aquela cara meio jogo AA, faltando uma característica visual mais marcante, fora os cenários serem menos vibrantes e vivos, é algo que lembra Nier: Automata, só que mantendo o padrão de capítulos de Bayonetta. 

Ao menos, o show extrapolante continua com suas setpieces e cenas absurdas da heroína punindo seus adversários, porém, a protagonista é bem mais comportada, faltando sua atitude mais provocante e maliciosa. Como envolve a premissa de "Multiverso", fica claro que pode ser outra Bayonetta, mas imagino que essa mudança deve ter rolado também devido a dubladora antiga, Helena Taylor, não reprisar o papel. Acho que é uma escolha mais adequada, pois por mais que Jennifer Hale seja incrível, o tom dela é bem diferente para a personagem.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Bayonetta - Duologia da Bruxaria

A PlatinumGames foi fundada por alguns ex-funcionários da Capcom, especialmente do sub-estúdio Clover Studios, responsáveis pelos clássicos Viewtiful Joe, Okami e God Hand. Apesar de serem jóias da sexta geração, não foram sucessos tão grandes quanto outras franquias da época, o que levou a falência do estúdio. Apesar de não ser oficialmente parte da linha da falecida Clover, Devil May Cry foi criado por um time interno da Capcom nomeado “Team Little Devils".

DMC foi dirigido por Hideki Kamiya, apesar do seu sucesso, a sequência foi feita na surdina pela Capcom e sem a participação do diretor, então a recém criada Platinum era a chance dele fazer um sucessor espiritual. Agora com o “Team Little Angels”, Kamiya traz Bayonetta, uma nova faceta de hack n’ slash/brawler que pega a base de combate com ranqueamento, combos e muito estilo de DMC, misturando com a esquiva e slow-motion de Viewtiful Joe. Costumam dizer que a moça do jogo homônimo é uma versão masculina do Dante, mas vai além disso.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

O episódio piloto de The Last of Us


Desde seu lançamento em 2013 The Last of Us passou por um processo de adaptação aos cinemas pelas mãos do Produtor Sam Raimi e essa operação explica o fracasso retumbante das adaptações de jogos em Hollywood já que de acordo com Neil Druckmann, o filme transformaria The Last Of Us em Guerra Mundial Z. O que mostra a total incompreensão dos executivos de cinema da Indústria sobre o teor dos jogos de videogame e a adaptação para o cinema acabou morrendo devido a insatisfação de Druckmann com os rumos do projeto. 

Em 2020, Craig Mazin(Chernobyl) foi convidado para uma reunião com a Sony e escolheu justamente The Last of Us para adaptar em uma série para a HBO que de imediato aprovou a produção em parceria com a recém fundada Playstation Studios.

Mostrando uma lealdade inabalável ao material original, Mazin convidou Druckmann para ser o criador da série sendo o roteirista do show ao seu lado e também o diretor em um dos episódios. No que parece ser a equação perfeita para criar uma série de sucesso. Juntando duas pessoas de comprovada competência para adaptar uma IP popular com uma história bem rica com personagens cativantes.


"Quando estiver perdido na escuridão"


Resumidamente, The Last of Us conta a história de Joel Miller, um contrabandista que é incumbido de escoltar uma menina(Ellie) até Washington para um grupo revolucionário chamado Vagalumes.

O episódio piloto abre com a assinatura de Craig Mazin em um vídeo de um talk show bem humorado de 1968 falando sobre a possibilidade de um fungo parasita começar a evoluir devido a mudanças climáticas e conseguir possuir humanos. A negligência de ações para se prevenir de algo iminente é um assunto que Mazin parece gostar de abordar já que seu trabalho anterior girava sobre esse mesmo tema. Após isso a abertura da série começa com os acordes inconfundíveis do Charango de Gustavo Santaolalla. O primeiro arrepio que a série causa.

De fato o inicio do episódio é primoroso, funcionando como uma expansão do que vimos no jogo, por exemplo, ao decidir iniciar a trama de Joel horas antes do começo do próprio jogo(quando sua filha entrega o relógio para ele), isso acaba nos dando um estofo maior para a personagem e seu relacionamento com seu pai. 

E o jeito que tudo isso leva ao Outbreak Day(quando a infecção começa a se espalhar  de maneira massiva) é brilhante, ao utilizar uma simples anotação do jogo como uma parte essencial do episódio ao mostrar os trágicos assassinatos cometidos pela Sra Adler, a fuga de Joel, Tommy e Sarah de seu bairro torna-se ainda mais traumática. Assim como no jogo, toda essa introdução forma uma base muito sólida para a jornada pessoal de Joel. E destaque para a direção de Craig Mazin, a condução quase sem cortes aparentes até o acidente com o carro de Joel e sua família é brilhante e evoca perfeitamente o clima caótico da situação sem apelar para uma edição rasteira e caótica como é costumado a se fazer.

Porém, a história poderosa do material base poderia se perder se não fosse seguida pelos atores e The Last of Us da HBO se mostra um primoroso acerto nesse aspecto. Começando por Pedro Pascal, ele aborda Joel de uma maneira diferente de Troy Baker mas igualmente fascinante, desde o principio surgindo de uma maneira mais leve que o Joel dos jogos no período pré-tragédia, a transição de um Joel espirituoso para uma pessoa quase totalmente fria é ainda mais potente, e esse enrijecimento de sua personalidade é transposta perfeitamente por Pascal como vemos na cena em que ele joga o cadáver de uma menina ao fogo como se tivesse descartando um lixo qualquer(perceba o contraste em sua postura atual e a do dia do incidente) mas ele ainda mantém conexões humanas com seu irmão Tommy e sua parceira Tess e uma ação de Joel no fim do episódio é uma rica adição a personalidade do personagem em relação ao que existe no jogo.

Bella Ramsey também encarna Ellie de uma maneira diferente do jogo, Ellie aqui é um pouco mais irritada e instável o que é compreensível já que ela é posta em uma situação mais tensa mas com uma personalidade tão forte quanto a do jogo e em sua primeira cena já estamos completamente investidos na personagem.

Com um roteiro que se preocupa em investir nas relações humanas entre seus personagens e a própria imersão na narrativa de uma maneira que seja fiel ao videogame, visualmente The Last of Us incorpora os elementos do jogo original como usar cores mais fortes para iluminar sua fotografia e que por consequência foge do clichê do subgênero que frequentemente usa cores mais pesadas para ilustrar os ambientes, apesar de não ser algo original(Zack Snyder usou esse artificio na sua versão de Madrugada dos Mortos) funciona muito bem para nos dimensionar nesse novo mundo que nos é apresentado e ver os cenários do jogo sendo fielmente reconstruídos é um de vários momentos de aquecer o coração que esse episódio piloto nos traz.

Mas tendo a proposta de ser fiel, The Last of Us não se omite em fazer importantes alterações em relação ao material original e isso se aplica aos infectados, a infecção afeta de maneira diferente os doentes e tentáculos começam a sair de seus corpos começando por sua boca criando uma espécie de infectado totalmente nojenta que dá um frio na espinha e a maneira que eles se movimentam é totalmente mais agressiva que no jogo e parece ser inspirada nos zumbis de Invasão Zumbi(2016), eles são bem mais rápidos e também mais fortes pois usam o próprio corpo para se livrar dos obstáculos que deixa as sequências de perseguição totalmente apavorantes e imprevisíveis. Também é interessante como o roteiro sutilmente demonstra o poder desse fungo ao mostrar uma idosa com problemas neurológicos tão agraves que deixa ela acometida e quase catatônica em uma cadeira de rodas e ela ser "consertada" pelo fungo a transformando em uma atleta nos apresenta um paralelo perturbador, enquanto sua questão física é totalmente curada(e aprimorada) pelo Cordyceps(o fungo), sua mente é levada por um propósito maldito.

A direção de arte é maravilhosa e a decisão de filmar os cenários com câmeras em alta profundidade faz esse episódio ficar ainda mais bonito, tem algumas tomadas que são verdadeiros wallpapers, minha favorita é a da menina caminhando em direção a uma base militar num plano que mostra uma cidade apocalíptica ao fundo e a tomada final pela perfeita criação de uma área do jogo embalada por uma das mais belas canções dos anos 80.

Também é impressionante como o diabo mora nos detalhes nesse episódio, algum dos acontecimentos são explicados quase que por meio de easter eggs(como a infecção se espalhou por exemplo) e falando em easter eggs o episódio piloto contém dezenas que dificilmente serão reconhecidas em apenas uma assistida.

O episódio piloto de The Last of Us venera o jogo original de maneira tocante e sincera, é sensível em suas alterações e certeiro em suas adições que tornam sua história tão rica quanto a do material original. Um começo muito forte para uma adaptação de um jogo tão amado.