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segunda-feira, 10 de abril de 2023

Resident Evil 4: Mudando Tudo

Finalizando a retrospectiva de Resident Evil. Leia os textos de RE1, RE2 e RE3 nos links. 

Resident Evil 4 foi a esperada sequência da franquia na nova geração. Após o fim da trilogia original e a entrada de uma nova era de consoles, tivemos Code Veronica, originalmente para Dreamcast, Resident Evil 0 e Remake para GameCube e os spin-offs Outbreak e Gun Survivor. A série era exclusiva do Playstation 1 com algumas ressalvas, visto que os títulos recebiam ports de PC tempos depois, RE1 saiu para Saturn e o 2 para Nintendo 64. Mas são jogos muito associados ao PS1.

O que era para ser RE4, se tornou Devil May Cry e virou um dos títulos de lançamento do PS2. A Capcom estava numa época muito boa em termos de obras inventivas e explorando novos potenciais de videogames 3D. Shinji Mikami trabalhava como produtor, responsável por boa parte dos sucessos da era, eventualmente voltando para direção com RE remake, e enfim deu sequência na série com RE4 que conhecemos, que passou por um longo período de desenvolvimento.

Com diversos conceitos e alguns protótipos, tudo indica que Resident Evil 4 tinha um princípio acima de tudo: mudar. O projeto de Kamiya tinha ação, estilo e exploração de um castelo medieval e tornou-se DMC. As próximas versões do projeto de RE4 mantiveram o castelo, agora com Leon sendo atormentado por alucinações, depois abandonando a antiga perspectiva de câmera para o ângulo acima do ombro, e, por fim, abandonando a ideia de ser "puro" terror para virar uma pequena aventura de um agente americano em busca da filha do presidente sequestrada nos confins da Europa.

Após os eventos de Raccoon City, Leon e Sherry são interrogados por oficiais do governo americano, e em troca da segurança da garota, Leon começa servir os Estados Unidos e é treinado para virar um super agente. Seu treinamento e habilidades garantiram que ele seria a pessoa mandada para resgatar Ashley Graham, a filha do presidente dos EUA. Chegando em um vilarejo inóspito, ele é atacado pelos locais e encontra pistas sobre o sequestro e a ligação do povo com um culto sinistro.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Relembrando #1: Silent Hill 4 The Room



Silent Hill 4: The Room veio para quebrar paradigmas da franquia, começando por uma nova perspectiva em primeira pessoa quando o protagonista está trancado em seu quarto(grande parte do jogo é você enclausurado nesse ambiente) e também por esse local não se passar em Silent Hill e sim em South Ashfield, uma cidade que fica a 270/km de Silent Hill como foi revelado por meio de um easter egg em Silent Hill Downpour.

O terror sempre foi um espaço para comentários e críticas sociais, focando no Japão, a série Ju-On(O Grito) começou como um paralelo sobre a crescente violência doméstica que ocorria no Japão no final dos anos 90, então é muito apropriado que Silent Hill aborde algo que estava em voga em meados dos anos 2000 na sociedade japonesa que era o fenômeno conhecido como Hikikomori, um estado onde o individuo se isola completamente em seus quartos e suas casas longe de qualquer tipo de contato social, e isolamento é o tema principal do jogo.

O protagonista se chama Henry Townshend, um morador de um prédio chamado South Ashfield Heights, Henry é uma pessoa "comum", provavelmente um fotografo, uma pessoa que fala sempre com voz baixa sendo totalmente introvertido e com um grau alto de ansiedade ou até uma fobia social.

Em Silent Hill 4 nós acompanhamos Henry enquanto ele está a cinco dias em completo isolamento em seu apartamento, quarto 302, sem conseguir se comunicar com ninguém fora de sua moradia e com umas correntes na sua porta que o impede de sair. Até que em um dia um estranho buraco se abre na parede de seu banheiro, para tentar fugir, Henry entra nesse buraco e é transportado para Silent Hill, a partir daí ele entra em uma rede desses buracos que sempre o transporta para partes diferentes da cidade nebulosa.

O antagonista do jogo e a parte chave do enredo se chama Walter Sullivan, Sullivan é um serial killer falecido que se suicidou com uma colher após ele ser preso por assassinatos e anos depois os assassinatos com o mesmo padrão voltam a acontecer. Sullivan é um produto da solidão, foi abandonado por seu pai, perdeu sua mãe quando criança, foi criado no orfanato de Silent Hill(sim) e sua busca incessante pela única pessoa que demonstrou afeto por ele lhe guia por um caminho bastante violento.

Walter é sem duvida meu personagem favorito da saga, uma figura complexa e que é desenvolvida no jogo desde sua infância, e é interessante que constantemente vemos e interagimos com o Walter criança, vemos uma criança doce e frágil, um contraste enorme com o assassino violento que ele se torna e o jogo não se furta de mostrar suas vítimas sendo assassinadas e os corpos delas. Toda motivação macabra de Walter Sullivan e o segredo por trás do apartamento de Henry são cuidadosamente construídos pela narrativa e todas as revelações são impactantes, Silent Hill 4 ainda de maneira sútil inverte o padrão da saga, colocando justamente o vilão em busca de seu familiar e não o protagonista como nos jogos anteriores e isso enriquece ainda mais o vilão mas Henry não é muito bem desenvolvido deixando muito para a suposição mas sem muito material muito sólido para formar teorias.

No geral, Silent Hill 4 tem uma história riquíssima, tão macabra quanto os jogos anteriores e diferente mas sem entrar no campo da descaracterização, adorei a história de serial killer , todo o background em relação ao apartamento do Henry e aos assassinatos de Sullivan é brilhantemente construído e as sutis ligações com jogos anteriores da série mexe com o coração(e o estômago) de qualquer fã da saga.

Em questão de gameplay, o jogo da mais foco ao combate e se abstém quase completamente dos puzzles, Henry pode carregar uma seleção grande armas brancas mas apenas duas armas de fogo, uma adição ao combate é a possibilidade de "dar carga" nos ataques com armas brancas causando uma quantidade de dano maior que os ataques convencionais, o que deixa o combate mais interessante e menos monótono, os inimigos são assustadores, os fantasmas imortais que nos perseguem são arrepiantes e à existência desses inimigos estão intimamente ligadas a Walter Sullivan o que enriquece ainda mais a história do jogo.

Tecnicamente o jogo não apresentou evolução em relação ao terceiro jogo e parece até menos bonito mas é algo perdoável se levar em conta que é um projeto menor, os cenários são um pouco pobres e bem repetitivos, a prisão é uma boa parte do jogo com muitos níveis, bem construída, é onde tem o único puzzle do jogo e é um bom puzzle, as fases são bem lineares perdendo a sensação de exploração que a franquia tinha, mas o quarto 302 se tornou um ambiente icônico na franquia, principalmente por ser bem detalhado e com um peso enorme pra história do jogo.

Silent Hill 4: The Room é um jogo um pouco esquecido dentro da franquia, talvez por se tratar de uma história isolada, nesse sentido o 2 teve um impacto bem maior(foi ajudado por se o primeiro jogo de uma nova plataforma), ou por ter um gosto agridoce por ser o último jogo da Team Silent, mas foi uma despedida em grande estilo da saga clássica.



segunda-feira, 30 de março de 2020

#145 - Shadow of the Colossus


Os melancólicos Ken-Oh, Desgraça e Bulmo apontam suas espadas e andam com seus cavalos nessa terra vazia e gigantesca para trazerem um podcast colossal, onde falamos do clássico de PS2, Shadow of the Colossus. Abordamos o desenvolvimento, um pouco de Ico e como ele se conectar a SotC, as mecânicas, os colossos, japonês falado de trás pra frente, a porra da égua que não obedece e muito mais.

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Músicas:
Prologue ~to the Ancient Land~
Sign of the Colossus
Commandment
The Opened Way ~Battle with the Colossus~
A Violent Encounter ~Battle with the Colossus~
Silence ~Battle with the Colossus~
The Farthest Land
Liberated Guardian ~Battle with the Colossus~
Creeping Shadow ~Battle with the Colossus~
Demise of the Ritual ~Battle with the Colossus~
Revived Power ~Battle with the Colossus~
Epilogue ~Those Who Remain~

Links:

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Review - Clock Tower 3


Entusiastas de jogos de terror já devem ter ouvido falar de Clock Tower, muito provável que tenha sido do primeiro jogo, que é um dos poucos do gênero para Super Nintendo, e nunca foi lançado oficialmente fora do Japão, conseguindo um destaque devido a tradução feita por fã que se encontra aí pela internet. A série acabou parando nas mãos da Sunsoft, após a desenvolvedora original, Human Entertainment, falir, que se juntou a Capcom para lançar o Clock Tower 3, curiosamente, é o quarto título da série, mas como o primeiro não foi lançado aqui, dá pra entender o título.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

#134 - Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty


Belo, Desgraça e Ken-Oh continuam com mais uma longa chamada no seu Codec para discutirmos sobre a sequência do clássico do PS1. Falamos do hype da época, a pegadinha do malandro do Kojima, a evolução tecnológica do PS2, a narrativa bizarra, os chefes ridículos e as outras coisas que Metal Gear Solid 2 nos proporciona.

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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Review - Resident Evil: Code Veronica X


Como uma das novas franquias mais populares da "quinta geração" de consoles, era esperado que Resident Evil deveria sair para os "novos consoles", mesmo após o lançamento do Dreamcast, a série ainda teve presença no Playstation 1 graças a Resident Evil 3: Nemesis, que originalmente era um spin-off e acabou virando um título oficial.

O jogo que se tornou Code Veronica, já estava sendo desenvolvido antes do 3, começou com a ideia de um port de RE2 para o Saturn, como ia ser uma tarefa muito difícil, resolveram fazer algo maior para o próximo console da Sega. A ideia era que Code Veronica fosse um exclusivo do Dreamcast, mas um ano depois, o jogo recebeu algumas adições e foi lançado para o PS2 como Code Veronica X, mostrando que a Capcom já não era confiável com exclusividades.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Megami Tensei - O JRPG demoníaco


Na era do Snes até o PS2, tinha JRPGs a dar com pau, milhares de joguinhos longos com histórias maneiras e sistema de batalhas estranhos, mas que certamente tinham bastante espaço no cenário de games ocidental.

A maioria era com temática medieval e acabavam sendo esquecidos, outros tinham ideias diferentes mas acabaram não sendo tão populares, mas se a gente já enjoava de tanto JRPG aqui, imagina no Japão, o nome do gênero não é Japanese Role-Playing Game de sacanagem, né?

Infelizmente perdemos muita coisa foda, mas algumas conseguiram se estabelecer depois, como a série que falarei hoje: Megami Tensei, carinhosamente apelidada de MegaTen.