quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Review - Metroid Prime


Provavelmente, devido a problemas ao passar as aventuras de Samus para um mundo 3D, a série Metroid não teve nenhum título para o Nintendo 64, mas com o lançamento do Gamecube, a Nintendo finalmente resolveu lançar um novo Metroid, na verdade 2, (praticamente a mesma coisa está acontecendo hoje em dia). Metroid Fusion, um jogo de plataforma 2D para o Gameboy Advance e Metroid Prime, um FPS 3D para o Gamecube. Curiosamente, a série passa por uma situação similar hoje em dia.


Se você já ouviu falar de Metroid Prime, já sabe que ele é sucesso de crítica e público. Eu sou fã de Metroid e é claro que queria jogar a série Prime, mas apenas tive a oportunidade de jogá-lo recentemente, apesar de não ter sido algo tão impactante, consigo compreender o que faz esse jogo ser tão aclamado.



Após os eventos do primeiro Metroid, a caçadora de recompensas Samus Aran vai investigar uma estação espacial em órbita do planeta Tallon IV, que serve de laboratório dos Space Pirates, os grandes vilões do universo de Metroid.

Samus derrota as ameaças no local, perde todos power-ups do jogo anterior e vê Ridley, dessa vez "Meta-Ridley", fugindo para Tallon IV. Ela persegue o seu rival e entra no planeta, onde há ruínas da extinta civilização Chozo e uma base secreta dos Space Pirates.

Pra quem é acostumado com Metroid, já sabe que a história não é o foco e nunca foi nada de especial, mas Metroid Prime utilizou uma mecânica de Super Metroid de um jeito mais interessante. Samus tem um "Scan Visor" no seu capacete, que permite que você analise as criaturas, tecnologias e as ruínas do planeta, assim obtendo mais informação sobre a história do jogo, fora que a ferramenta é essencial para você ativar mecanismos, descobrir as fraquezas dos seus inimigos e segredos no cenário.



O Scan é algo essencial para Metroid Prime, acho que até é exagerado o tanto que o jogo te faz usar ele, mas certamente foi uma adição muito boa dentro da franquia, principalmente dentro dessa perspectiva de primeira pessoa. 

Vale mencionar que o jogo não é totalmente em primeira pessoa, a mecânica da Morph Ball, onde a Power Suit vira uma bola e permite passar por lugares estreitos e ter acesso a bombas, deixa o jogo em terceira pessoa, o que foi uma decisão muito sábia, pois a Morph Ball é outra parte essencial da exploração e resolução de puzzles.

Essa transição para o mundo 3D com perspectiva em primeira pessoa foi muito bem pensada. Você vê como se fosse a Samus através do capacete da Power Suit, mostra a HUD do jogo com sua vida, armas, quantidade de mísseis, mapa, radar, os visores, a vida do inimigo e um indicador de que lugar no mapa você tem que ir, caso esteja vagando sem rumo por algum tempo.

Além de ter uns efeitos bem bacanas, considerando a época, como o visor ficar embasado com gás, estática perto de alguns inimigos e ataques elétricos, dá até ver o reflexo do rosto da Samus de vez em quando.


Chega a dar um sustinho de vez em quando.

No meio da exploração de Tallon IV, Samus encontra a diversa fauna e flora do planeta, além de fantasmas da civilização Chozo, Space Pirates e outras paradas que querem te matar. Geralmente, você encontra um inimigo pela primeira vez, dá um scan nele, descobre a fraqueza e mata (caso você tenha o upgrade necessário).


Comparando a outros Metroids, você consegue upgrades para o canhão de braço da Samus e eles iam "acumulando", então o tiro ia ficando mais forte, em Prime não, você tem 4 tipos de tiros e os mísseis, e você tem que ir trocando dependendo do inimigo, faz parte da mecânica do jogo, não só para o combate, como para abrir as portas.

Quanto ao combate, acho que usar o lock-on uma boa escolha pra um FPS em console, além do dodge, que é uma mecânica rápida e funcional, mas não achei os chefes muito legais, geralmente eles demoram para morrer e tem poucos padrões de ataque, tornando essas lutas meio repetitivas. A parte mais legal dessas lutas acaba sendo encontrar a fraqueza do chefe, ou melhor jeito de derrota-lo, do que o combate em si.

Dá pra se dizer que isso é problema da época, onde o pessoal não tava bem decidido como fazer FPS em console, tanto que o jogo usa o analógico do GameCube para movimento, o d-pad para mudar o visor e o C-Stick para mudar o tipo de tiro. Não entendi exatamente a necessidade de colocar cada visor em um botão, sendo que você utiliza muito o scan, os outros são situacionais. Acredito que esse problema não exista na versão do Metroid Prime Trilogy, mas infelizmente não joguei ela.


De qualquer forma, o maior erro do jogo é o backtracking. Backtracking em Metroid geralmente é bem feito, você adquire um upgrade novo que faz com que você possa voltar numa área antiga e descubra uma nova área e ache mais itens, é bem natural e recompensador. Metroid Prime tem isso, o mapa é bem feito para essa exploração da maioria das vezes, o que fode é no final do jogo. 

Para entrar na área final e enfrentar o Metroid Prime, você tem que ter 12 relíquias Chozo que estão espalhadas pelo planeta, você até tem dicas de onde elas estão, mas umas são bem complicadas de encontrar. Isso é um backtracking bem forçado e tedioso, e está situado exatamente antes da área final do jogo, o que me deixa muito mais puto da cara.



Sem dúvidas, Metroid Prime é um jogo muito bom, já vi usarem o termo "First-Person Adventure" para definir o gênero dele, e por mais vago que possa parecer, acho que é adequado. Não que FPS de antigamente fossem lineares, mas a parte da ação acaba sendo não sendo um forte do jogo, ao contrário da exploração, plataforma e puzzles.

Metroid Prime marcou a transição da série para o mundo 3D, e assim como Zelda e Mario, foram muito bem executados, alguns aspectos 2D tiveram que ser deixados de lado para fazer essa transição funcionar, mas o fato de colocarem em primeira pessoa e você ver como funciona a Power Suit da Samus foi uma ideia foda. E combinando isso com a parte visual e musical, te deixam bem imersos dentro do ambiente alienígena de Tallon IV. 


Nota:8

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